Quanto custa sua opinião e atitude?

iphone

Essa semana o lance inicial está em dois iPhones

Por Zé Honorato

Antes de tudo gostaria de dividir com vocês o verdadeiro significado de união, “revolucionarismo” (se não existe a palavra invento agora) e luta pela liberdade de expressão. Para isso vou “recontar” uma pequena história. Lets go kids!

Nos meses que antecederam os atentados terroristas do dia 11 de setembro, Michael Moore, diretor dos documentários Tiros em Colombine e Fahrenheit 11/9, escreveu um livro chamado Stupid White Men (intitulado no Brasil como Uma Nação de Idiotas). O livro seria lançado nesse exato dia, porém após os ataques a editora não só suspendeu seu lançamento como também pediu que o autor o “reescreve-se”. Moore se recusou e começou uma longa briga. Foram meses de intensas negociações e justificativas, por parte da editora, de que o livro não era mais pertinente após o 11 de setembro, com todos os americanos ainda muito abalados por conta do acontecido. O comunicado de que as 50 mil cópias já impressas seriam destruídas temperaram a relação “Moore and HaperCollins”.

Tudo isso, claro, deixo nosso amigo “Mike” desolado. Afinal (segundo ele e o bom senso) o cara tinha sofrido uma censura da HaperCollins (editora que detinha os direitos do livro por um ano), que segundo informações dadas a Moore em uma conversa, se auto declarava a editora do 11 de setembro. Apesar de tudo e da tristeza, nosso amigo “Mike” foi convidado a dar uma palestra para cem pessoas. Na ocasião Michael contou a sua platéia o que tinha acontecido e perguntou se ele poderia ler alguns trechos do livro para os presentes.

Para resumir, afinal já estou cansado de digitar uma história “conhecida”, após a leitura desses tais capítulos, foi aplaudido calorosamente e observado por uma mulher presente naquela sala. A mulher era Ann Sparanese, uma bibliotecária de Englewood, New Jersey. Sua atitude foi chegar em casa, entrar na internet e escrever para seus amigos de profissão. O gran finale foi simples, Ann pediu a todos que escrevessem para a HaperCollins e exigissem o lançamento do livro (sem oferecer telefone móvel ou smart). O resultado, bom, em primeiro lugar foram centenas, depois milhares de pessoas escrevendo para a tal editora. O que a editora fez? Ligou para “Mike” para saber o que ele tinha dito aos bibliotecários, já que a história tinha caido na internet e a Publishers Weekly se empenhava em descobrir tudo sobre a mesma.

A editora acabou publicando o livro sem alterar sequer um acento. Foi obrigada pois já tinha ganho com o caso a fama de censora, e apesar de tentar afundar a obra em seu lançamento, “Stupid White Men” foi um sucesso. Nas primeiras horas 50 mil exemplares haviam sido vendidos e nas listas do mundo inteiro figurava o nome do mais novo lançamento literário de “Mike”.

Se você ainda está lendo este texto parabéns, pois agora você irá entender o que eu quis dizer com essa colossal introdução.

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Cada um faz o que quer nesse mundo, mas algumas atitudes manipuladoras e debruçadas nos desejos de bens materiais da sociedade não podem manchar o verdadeiro significado do que é liberdade de expressão e luta por direitos. A lição que podemos tirar do caso de Michael Moore são duas: primeiro não mexa com os bibliotecários, eles são maus, organizados e revolucionários. Segundo: uma atitude contra censura ou tentativa de tirar dos “poderosos” a capacidade de escolher ao que teremos acesso é maravilhosa e merece aplausos de pé.

Porém a mesma não deve ser paga com esmolas. Sim eu disse esmolas. E-S-M-O-L-A-S!!!! Sim, estou falando da “campanha” [concurso] lançada por Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas Roque Clube, visite o blog do cantor e entenda mais sobre o caso.

A história poderia ser séria, e é. Como também poderia ser uma boa oportunidade de mostrarmos que somos suficientemente inteligentes para escolher o que consumimos, porém as atitudes (de ambos os lados) principalmente do cantor com a história do iPhone deixa tudo extremamente bizarro e sugere alguns questionamentos.

Primeiro, se é para se unir aos fãs para protestar (atitude que eu apoio enquanto diz respeito a exigir direitos), que tal fazer isso por não aceitar essa “censura descarada” (caso Tico Santa Cruz seja mesmo vítima) ou porque gosta da banda ao invés de ser “patrocinado” para isso?

Segundo, se realmente existe “jabá” nas rádios (claro que existe, mas não estou afirmando, entendeu?), o que a rádio “MIX” ganha em boicotar a Banda? Pela lógica “se caso for verdade o fato de que as gravadoras estão pagando para tocar músicas”, porque essa frescura toda? Só para aparecer mais na mídia? Isso por um acaso é um golpe de marketing estilo o beijo da Karina Bacchi no “baixinho da Kaiser”?

Em todos os casos acho meio triste ver coisas desse tipo, até porque já ouvi milhões de vezes a história de que o “Detonautas” se conheceu na internet, e por isso achava que eles não eram tão dependentes da grande mídia. Ao contrário, mais do que os outros os “Detonautas” seriam capazes de trilhar o caminho inverso e “tomar” a fatia deles do bolo. Até porque não é de hoje que artistas “explodem na internet” e “obrigam” rádios e a TV a conceder o devido espaço. E acreditem essa tendência tende a aumentar.

Por fim, mas não menos importante, quero deixar claro para os desavisados de plantão, que não só eu, mas todos aqui no Feijoada Nacional somos a favor de qualquer luta pela liberdade de expressão e contra censura. Também somos a favor dos direitos de manifestações artísticas, culturais e de opinião, assim como somos a favor da exposição dessa história para que a mesma seja esclarecida. Mas isso não significa que vamos abaixar a cabeça para manipulação de qualquer espécie e vinda de qualquer um para nos tornarmos peças de xadrez em uma rixa talvez particular e pessoal.

Trocando em miúdos, apesar de reconhecermos o valor da luta por direitos essa história está parecendo, com todo o respeito aos envolvidos, “reportagem de cliente de puteiro insatisfeito”. Só como exemplo, há anos o “Lobão” acusa as rádios de participarem de um esquema de “jabá” e por isso passou um bom tempo excluído das mesmas, porém passou como HOMEM. Quer ter opinião sobre veículos dos quais depende seu trabalho? Legal. Mas esteja pronto a pagar o preço e não ficar chorando pelos cantos e “pagando” para que os outros chorem com você.

Vou repetir, não me oponho a luta contra censura ou por quaisquer direitos, mas nessa sociedade tão desgastada, já não basta vivermos em um mundo de valores fictícios, com ídolos fictícios e objetivos fictícios. Agora também vamos ter que lidar com “inconformismo fictício”? Pelo amor de Deus PARE ESSA MERDA QUE EU QUERO DESCER.

Fontes (para consulta)

Blog Tico Santa Cruz
Colunista Mauricio Stycer
Livro: Stupid White Men – Uma Nação de Idiotas, de Michael Moore. Ed. Francis

2 Respostas para “Quanto custa sua opinião e atitude?”

  1. Ivo Lindbergh Diz:

    todos aqui no Feijoada Nacional somos a favor de qualquer luta pela liberdade de expressão e contra censura.
    ==> No Brasil não existe censura. Veja o livro do Garrincha do Ruy Castro, o do Roberto Carlos do Paulo César de Araújo, o “Canto dos Malditos” do Austregésilo Carrano (que virou o filme “Bicho de Sete Cabeças” da Laís Bodanzky), a Lei Azeredo (vade retro!) e o caso recente do Estadão X Família Sir Ney ==> http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/08/03/virgilio-vai-ao-cnj-contra-juiz-que-censurou-estado-sarney-se-irrita-com-acusacao-de-que-esta-por-tras-da-censura-757081911.asp

    Os velhos hábitos são os mais difíceis de se perder.

    E pagar pra ser do contra é, no minimo, estranho…

  2. [...] Quanto custa sua opinião e atitude? – Augusto – Pra mim é só feriado – Os lucros da Fé – O Poder da [...]

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