HQ’s Libertárias – Parte 5

Charge de Chico Caruso
UPDATE – Antes de ler a matéria, só um adendo. Recebemos por e-mail o alerta de algumas pessoas no sentido de que charges não tem nada a ver com HQ’s. Entendemos as diferenças de uma para a outra, mas quando começamos a escrever as matérias queríamos falar só de quadrinhos, mas depois lembramos e reconhecemos a importância das charges, caricaturas, tiras e outras formas artísticas (por meio de imagens e desenhos) que também representam uma manifestação na luta pela liberdade de expressão ou crítica de comportamento social. Acabamos por decidir manter o nome HQ’s Libertárias apenas por uma condição de particularidade. Mas esquecemos de avisar sobre isso… Foi mal… (risos amarelos).
Ilustrando a história
Por Talita Rocha*
Charges e caricaturas que influenciaram na história e na luta pela liberdade de expressão. Saiba um pouco sobre alguns dos principais ilustradores do Brasil, que participaram ativamente na luta contra a ditadura e que até hoje retratam a política do país.
Hoje elas estão presentes nos principais diários, ilustrando jornais e revistas, fazendo sátiras sociais revestidas de cunho político, irreverência e bom humor. Mas nem sempre foi assim. A história das ilustrações no Brasil se confunde com a história da luta pela liberdade de expressão.

Charge de Chico Caruso
Com instalação da censura prévia aos meios de comunicação, no regime militar nas décadas de 60 e 70, surgiu à chamada imprensa alternativa, trazendo referências como a revista Pif Paf lançada por Millôr Fernandes, e o Jornal O Pasquim que foi o celeiro dos melhores chargistas e ilustradores do Brasil, na busca pela liberdade de expressão.

Charge de Millôr Fernandes
Mesmo sobre forte censura, nada escapava aos traços de chargistas como Jaguar, Ivan Lessa, Ziraldo, Millôr e Henfil, que como forma de resistência retratavam a realidade da época, dando voz ao povo através de seus trabalhos também cobrando mais participações.

Charge de Glauco
Após a abertura, passado o clima de guerrilha, surgiram outros nomes como Angeli, Glauco, Laerte e os irmãos Caruso, que apostavam na crítica pró-democracia, retratando uma nova sociedade que começava a se formar. Então as charges voltaram-se para os tipos urbanos, apostando na contra-cultura, um estilo que permanece até os dias de hoje.

Charge de Laerte
Assim as charges tiveram papel fundamental na luta contra a repressão, e ainda hoje atuam na sociedade de forma participativa nas questões políticas e sociais, desenvolvendo o questionamento e a crítica com muito humor. Mas as charges além de privilegiar o humor e a sátira política, abordam temas atuais, mostram as preocupações do país e do mundo oferecendo ao leitor elementos de fácil identificação e reconhecimento, cumprindo seu papel social garantindo algum espaço a opinião e a liberdade de expressão.
Jaguar

Jaguar, criador do Pif Paf e O Pasquim
O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, mais conhecido como Jaguar, foi um dos fundadores do jornal mais influente na oposição ao regime militar, batizado por ele de O Pasquim. Junto com Ivan Lessa, Jaguar publicava suas tiras com ratinho Sig, dando uma injeção de humor nas situações cotidianas absurdas, ironizando os chavões, criando frases de efeito em tiras hilárias, que mais tarde foram imortalizadas com publicação da série “Lugares in-comuns”.
Ziraldo

Ziraldo, criador do O Pasquim
Ziraldo, que é um dos mais consagrados ilustradores brasileiros, conhecido por suas obras infantis, também era um dos militantes a favor da livre expressão. Participou da fundação do Pasquim e com seus personagens Jeremias, o Bom, a Supermãe e Mineirinho, trabalhou intensamente na resistência à repressão, chegando ficar preso por dois meses. No ano de 2001, na tentativa de reviver O Pasquim dos anos 60, Ziraldo lançou o Pasquim 21, que deixou de ser publicado em 2004.
Millôr Fernandes

Millôr Fernandes, um dos maiores questionadores da Ditadura Militar
O escritor, tradutor e cartunista Millôr Fernandes, que era responsável pela revista Pif Paf marco da imprensa alternativa no Brasil, também participou da fundação do jornal O Pasquim. Com um humor sarcástico e provocações explícitas ao regime militar, não só nas charges mais também em seus textos e peças. Millôr foi um dos maiores questionadores do esquema repressor que dominava o país naquela época. Hoje, Millôr é um dos mais consagrados escritores brasileiros.
Henfil

Henfil, destaque em movimentos políticos e sociais
Henfil ou Henrique de Sousa Filho, era cartunista e quadrinhista, se destacou por sua forte atuação nos movimentos políticos e sociais na luta pelo fim do regime ditatorial. Com seu estilo inconfundível, suas charges traziam personagens tipicamente brasileiros e eram marcadas pela crítica e sátira política.

Charge de Henfil
Trabalhou nas revistas Alterosa, Realidade, Visão, Placar e O Cruzeiro, tornou-se conhecido a partir de 1969, quando passou a colaborar no jornal O pasquim. Seus principais personagens foram os Fradins, Pó de Arroz, Zeferino, Orelhão, Bode Orelana, Graúna, Cabôco Mamadô, Urubu, Bacalhau e Ubaldo o Paranóico.
Angeli, Glauco e Laerte

Angeli, um dos inovadores da contra-cultura
Angeli, Glauco e Laerte surgiram no fim da ditadura, também fazendo oposição ao regime militar. Mas logo depois nos anos 80 deixaram de investir só na política inovando ao adotar o contexto da contra-cultura, falando sobre assuntos que até então eram tabus como sexo e drogas. Juntos fizeram as revistas Chiclete com Banana, Geraldão e Piratas do Tietê. E mesmo passado o clima de guerrilha, hoje continuam fazendo sátiras políticas, mantendo o estilo que redefiniu o humor nos cartuns brasileiros.
Paulo e Chico Caruso

Os irmãos Paulo e Chico Caruso
Leitores assíduos de O Pasquim e fãs de Ziraldo, os irmãos Caruso, surgiram no fim dos anos 60. Ficando conhecidos por suas charges que falavam sobre a situação econômica, a violência nas cidades e falta de distribuição de renda enfatizando sempre os tipos urbanos. Os chargistas, que também são músicos e escritores, ainda atuam no cenário nacional, dentro da crítica política e social.

Charge de Paulo Caruso
Livro – O Pasquim Antologia

Capa do Pasquim - Você lê: "Todo o paulista é bicha". No entanto, lendo bem mais de perto, encontra-se a frase completa: "Todo paulista 'que não gosta de mulher' é bicha".
Em abril de 2006 a Editora Desiderata lançou O Pasquim – Antologia 1969 – 1971, uma compilação feita por Jaguar e Sérgio Augusto de matérias e entrevistas das 150 primeiras edições do semanário. O livro foi um sucesso motivando o lançamento de um segundo volume em 2007, desta vez cobrindo o material do período entre 1972 e 1973, e depois um terceiro em 2009, cobrindo os anos de 1973 e 1974.
É possível encontrar os três volumes e qualquer boa livraria da sua cidade e até mesmo em alguns Sebos.
*Talita Rocha é formada em jornalismo.
Continua
Confira HQ’s Libertárias – Parte 1 – Parte 2 – Parte 3 – Parte 4
05/10/2009 às 13:25
Gostei da qulaidade gráfica e variedade das informações e citações sobre nossos artistas,
gostaria de colaborar com o que for possível pra incrementar essa feijoada…
abraços
Paulo Caruso
06/10/2009 às 01:37
Fala Paulo..Valeu pela visita, bacana que você aprovou o blog, o post, a qualidade e por ae vai. Graças a internet, hoje em dia se fizermos um esforço dá para compor um ótimo mateiral, sempre.
Pow, nós não somos a universal, mas também somos chegados em uma colaboração para nossa obra, principalmente com sua habilidade de desenhista (calma não vamos abusar). Mas, um desenhinho na faixa de um porquinho simpático para virar símbolo do blog não iria ser mal…rsss
Sério, se interessar pela idéia entre em contato conosco. Meu email tá nesse comentário, assim como você pode usar o email do blog também.
Aliás qualquer um que queira ajudar a “temperar” a nossa feijoada pode fazer isso pelo feijoadanacional@msn.com ou pelos emails que estão na parte de “irresponsáveis” pelas coisas aqui. Qualquer coisa será bem vinda.
Forte abraço
Zé Honorato
06/10/2009 às 14:01
A capa do Pasquim “Todo paulista é bicha” saiu também numa Bundas (da mesma trupe, lançada em 1999), não lembro o número. Era engraçado ver em todas as bancas de São Paulo a “manchete” em letras garrafais. Mais engraçado ainda era todo paulista (eu incluso) achar engraçado…
01/11/2009 às 10:29
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